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Automação residencial cresce com facilidade de uso e custos mais baixos

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Por Suzana Liskauskas para o Valor Econômico - 31/10/2023


Embora detenha uma posição de destaque na América Latina, o mercado brasileiro enfrenta muitos desafios para democratizar o acesso às inovações

As definições de casa do futuro têm sido atualizadas a cada minuto para entregar facilidades. “A casa do futuro é uma casa que facilita o dia a dia das pessoas, para que tenham uma casa bem vivida, reinventem experiências e tenham mais tempo para se dedicarem às pessoas e às atividades que gostam”, diz Anderson de Moraes, chief information officer (CIO) da Electrolux para a América Latina.

Já Renata Voges, gerente do segmento de energia home office da Intelbras, costuma dizer que a casa do futuro é a casa do presente, porque a inteligência no cotidiano está cada vez mais acessível. “O advento do Wi-Fi nos dispositivos foi um divisor de águas para a casa conectada, popularizou”, destaca.

Outra mudança foi a facilidade de uso. Voges lembra que os primeiros fabricantes globais de automação residencial tinham produtos mais complexos. “Hoje, os controles estão em aplicativos. Os custos estão mais baixos e há facilidade no dia a dia”, afirma. Recursos de aplicativos, como a geolocalização, facilitam essa experiência, avisando quando  o consumidor está perto de casa para programar os equipamentos. “Isso vincula o uso diário com segurança, conforto e praticidade.”

Dados coletados no primeiro semestre de 2023 pela GfK Latam, empresa de estudo de mercado, mostram que a média global de pessoas que possuem um dispositivo inteligente é de 1,5. Em alguns países da Europa, essa média ultrapassa 2,2. Na América Latina, o Brasil é líder, com a média 1,3.

Apesar da posição de liderança na América Latina, o mercado brasileiro enfrenta muitos desafios para democratizar o acesso a inovações. “No país, ainda não há democratização de algumas tecnologias, como inovações sustentáveis, que temos trabalhado fortemente em nossos refrigeradores e máquinas de cuidar (lavadoras de roupa)”, afirma Moraes.

A jornada de democratização do acesso à casa inteligente inclui preocupações com custos da tecnologia, complexidade, privacidade, interoperabilidade e experiência do usuário. São as principais barreiras no caminho de fabricantes para acelerar a adoção de tecnologia de casas inteligentes, segundo o levantamento da GfK.

Moraes ressalta que, do ponto de vista de internet das coisas (IoT), há muitas opções no mercado global. “Com investimento e tempo de implementação corretos, tudo será possível, mas depende de um profundo entendimento da realidade local e hábitos do consumidor, para que seja algo que realmente se insira na cultura.”

A inovação no ambiente doméstico ganhou luz na 16ª edição da Eletrolar Show, realizada em julho em São Paulo. Um dos ambientes mais procurados na feira, que reuniu cerca de 32 mil visitantes, foi a casa inteligente. Carlos Clur, CEO do grupo Eletrolar, realizador da feira, diz que o ambiente foi montado para mostrar soluções desde fechaduras a iluminação inteligente.

Os dispositivos que tornam o ambiente doméstico mais inteligente são conectados por redes Wi-Fi com aplicativos de smartphones, tablet ou alto-falante inteligente. Podem facilitar o controle a distância de aparelhos de iluminação e fechaduras a eletrodomésticos. Segundo a GfK, aspiradores de pó robô e smart TVs são categorias em que mais de 70% das unidades de produtos vendidos possuem uma função inteligente/conectada.

Análise feita com exclusividade para o Valor pela Tunad, plataforma de inteligência de mídia, entre os dias 1º de agosto e 25 de setembro de 2023, mostra que as smart TVs lideram os produtos mais procurados, quando o tema é casa conectada, aparecendo em mais de 500 mil pesquisas pelo Google. Na categoria sensores, os equipamentos que regulam temperatura lideraram o volume de buscas (30 mil). Os sensores de movimento apareceram em sete mil pesquisas.

Dados da Relax Medic, importadora de produtos de bem-estar e relaxamento, apontam aumento na busca por equipamentos inteligentes mais específicos para saúde física e mental, como desumidificadores de ar. Integrados a assistentes virtuais, podem ser mais bem adaptados a rotinas de uma casa. “À medida que a sociedade avança na IoT, a procura por aparelhos interconectados tem se intensificado, impulsionando a busca por soluções que aprimorem a eficiência e a experiência do usuário”, diz Camila Luizzi, gerente de marketing da Relax Medic.

As inovações também mergulharam no segmento de piscinas, que podem ser configuradas por assistentes virtuais de voz. Filipe Sisson, CEO da iGUi, diz que a tecnologia disponível pode controlar filtragem, iluminação, aquecimento e o uso de aspiradores. “Buscamos inovar no que tange ao tratamento da água, sem o uso de cloro,  bem como em tornar a piscina um ambiente seguro. Nosso sistema de filtragem de sucção aberta elimina o risco de aprisionamento de cabelo e partes do corpo nos ralos, evitando acidentes”, afirma.

Com relação aos equipamentos de iluminação LED, o levantamento global da GfK, com dados do primeiro semestre do ano, mostra que cerca de 3% das unidades de vendas são atribuídas a produtos com função inteligente. O estudo aponta que é preciso entender as barreiras para os consumidores, a fim de expandir o segmento.

Patrícia Lima, responsável pela diretoria de bens de consumo da Elgin, observa que o consumidor inicia a experiência de casa inteligente com as lâmpadas LED. “É um movimento dos últimos três anos. O consumidor começa com a lâmpada, depois migra para painéis e interruptores inteligentes.”

Os fabricantes também acompanham o comportamento do consumidor por meio dos aplicativos de casa conectada para ampliar o portfólio de produtos, privilegiando os requisitos de sustentabilidade. Um dos produtos que estão sendo analisados pela Elgin é o disjuntor inteligente. “Além de otimizar o controle de consumo de energia, o disjuntor envia informações referentes a situações de sobrecarga. Mas ainda é um produto com custo mais alto para o consumidor. Estamos esperando a tecnologia ficar mais acessível.

Fernando de Falchi, gerente de engenharia de segurança da Check Point, ressalta a importância de manter os dispositivos da casa inteligente protegidos, especialmente quando utilizam o Wi-Fi doméstico. “Garantir que os dispositivos estejam atualizados com a mais recente tecnologia antimalware é uma forma importante de proteção.” Vale ainda criar uma rede Wi-Fi separada para os dispositivos. “A maioria dos roteadores ou access point permite a criação de uma rede separada que se destina apenas aos dispositivos domésticos inteligentes, de forma a criar mais obstáculos à eventual tentativa de acesso não autorizado.”

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Esta matéria pode ser vista no link https://valor.globo.com/publicacoes/especiais/revista-inovacao/noticia/2023/10/31/automacao-residencial-cresce-com-facilidade-de-uso-e-custos-mais-baixos.ghtml 


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