Telemedicina na casa conectada

A medicina remota possibilita que vários dos aspectos da automação, antes ligados a conforto, sejam utilizados para prevenir doenças e auxiliar no tratamento domiciliar de pacientes

A casa conectada tem sido explorada como processo auxiliar da manutenção da saúde de idosos, medicina populacional e programas de bem-estar como forma de favorecer a longevidade. Esta prática fortalece a capacidade de tratamentos domiciliares de pacientes e aumenta o poder de alcance diagnóstico dos médicos.

Saúde na casa conectada é mais um dos argumentos positivos do lar inteligente, pois permite o acompanhamento contínuo dos indivíduos em seus programas de manutenção da saúde. Residências que dispõem de conectividade possuem melhores condições de climatização, controle luminotécnico e segurança, itens que são auxiliares em tratamentos de diversas enfermidades, como insônia, hipertensão e doenças mentais.

O Tele Health, ou Tele Saúde, é atribuído a várias verticais de saúde à distância, sejam elas síncronas ou assíncronas, como Tele laudo, Tele enfermagem, Tele orientação, Tele consulta, Tele consulta especializada, Tele monitoramento, Tele farmacêutico e Tele UTI.

A comodidade proporcionada por um tratamento domiciliar eficiente, a independência do usuário com sua própria rotina de manutenção da saúde e a liberdade de parentes e cuidadores trazem ótimos resultados. “A saúde não deve ser lembrada somente no momento de enfermidade, mas estar presente como um ato contínuo de boas práticas, monitoramento, rapidez de diagnósticos e condições de tratamento. Todas estas ações podem ser executadas com perfeição em uma casa inteligente”, declara Luis Gustavo Ferreira Costa, projetista industrial e CTO da empresa AMD Global Telemedicina – Brasil


Luis Gustavo Ferreira Costa, CTO da AMD Global Telemedicina – Brasil

Globalmente, durante a pandemia, o número de consultas virtuais alcançou até 35% das demandas; hoje, com a reabertura das economias, as consultas virtuais estão novamente no patamar ante pandemia, de 8% a 12%. Especificamente no Brasil, 100% das vídeo consultas são feitas em aplicativos em celulares e computadores.

Costa explica que, hoje, no País, as tele consultas são totalmente baseadas em aplicativos gratuitos em salas públicas, muito longe das necessidades de segurança impostas em países regulados. “A tele consulta não deve ser considerada um ato reativo, e sim preventivo, porque sua maior destinação é a prevenção e conservação da saúde”.

O recurso da tele consulta viabiliza o atendimento a pacientes crônicos, por meio do qual o médico, após a consulta e diagnóstico por áudio e vídeo, consegue submeter, digitalmente, a prescrição com os medicamentos ou solicitar novos exames se necessário.

“A Tele Saúde é uma forma de eliminar o tempo e os gastos de uma viagem até um especialista ou pronto-socorro, podendo o médico fazer um diagnóstico em casos mais simples e, em um mais complexo, pedir mais exames ou encaminhar o paciente a uma segunda tele consulta com um especialista. O conceito visa tornar a saúde mais acessível, barata, rápida, eficiente e, dessa forma, melhorar a experiência e a jornada do paciente”, declara Immo Oliver Paul, administrador de empresas, advogado e CEO da Carenet Longevity, empresa de Internet das Coisas Médicas (IoMT) no Brasil.



No exterior, existem muitas outras modalidades de consultas e serviços virtuais, tais como Medicina Remota Instrumentada, RPM e Clínicas Digitais em Farmácias.

Tradicionalmente, a medicina presencial dispõe de condições técnicas para a execução de exames fisiológicos, laboratoriais e físicos, que auxiliam o médico no diagnóstico e seu tratamento. No entanto, as tecnologias atuais já possibilitam que grande parte de exames destinados à saúde primária ou especializada de baixa criticidade sejam feitos à distância. “A Telemedicina não instrumentada consegue, em média, de 60% a 65% de efetividade e, quando instrumentada, pode alcançar índices de sucesso superiores a 80% de resolutividade diagnóstica, ampliando enormemente as possibilidades de tratamento domiciliar”, afirma Costa.

Digitalização da saúde

A saúde está sendo descentralizada gradualmente, o que permite seu acesso a qualquer pessoa, a qualquer hora e lugar. Saúde digital é uma convergência entre saúde e tecnologia e, portanto, é necessário entendimento de ambos os lados para que haja êxito nos processos.

Inúmeras são as inovações tecnológicas que têm surgido no ramo de Telemedicina, tais como Big data, visão computacional com sensores tridimensionais do tipo LiDAR, reconhecimento facial, entre outras.

Considerando que todas as tecnologias geram dados contínuos dos pacientes que são alimentados automaticamente por automação, wearables/IoT ou manualmente pelos clientes, a inteligência artificial pode trabalhar em várias frentes, como Triagem de paciente, Análise de imagens, Análise comportamental e Análise de resultados de laboratório. Qualquer parâmetro pode ser considerado evidência clínica e, quando todos estes dados são colocados juntos, pode-se ter conclusões diagnósticas bem mais precisas.

Diversos casos de saúde primária podem ser resolvidos por um clínico geral, sem precisar envolver um especialista, e é justamente esse envolvimento do especialista que geralmente eleva os custos dos processos.

A Internet das Coisas (IoT) ou Internet das Coisas Médicas (IoMT) é necessária para conectar os diferentes elementos e permitir o monitoramento remoto do paciente. Os sensores averiguam indicadores importantes relacionados à saúde e o IoT assegura que esses dados sejam digitalizados; uma vez digitalizados, podem ser enviados por Internet a qualquer pessoa.

Immo Paul explica que o aspecto importante do IoT é que ele permite a realização de uma consulta entre um paciente e um médico, sem que ambos estejam na mesma sala, por meio equipamentos e medição de sinais vitais. “A inteligência artificial entra nisso mais como uma ferramenta para processar ou analisar os dados digitalizados, como pressão, temperatura, oximetria, respiração, frequência cardíaca, identificar riscos e alertar o paciente. Acreditamos que, no futuro, a inteligência artificial faça esse processamento dos dados e se torne um sistema de apoio à decisão para o médico, auxiliando no diagnóstico”, revela.


Todos os equipamentos de automação são pontos positivos na cadeia de valor das casas inteligentes e cada dispositivo tem sua importância colaborativa. O projetista deve aprofundar-se nas necessidades atuais e futuras de cada cliente, criando um projeto humanizado e customizado. “É preciso pensar no indivíduo e na experiência do usuário em primeiro lugar, ter um plano detalhado de demandas atuais e futuras e uma boa comunicação unificada entre todos os colaboradores dos projetos, com uma consciência do mínimo, fazendo o máximo”, orienta Costa.


Uma forte tendência é o robô de telepresença, um produto de vínculo social, que certamente, no futuro, será um importante aliado ao paciente, uma vez que funciona com assistentes de voz que permitem customização das rotinas e emissão de alertas para consumo de medicamentos e de segurança.




Robô Astro, da Amazon, que faz a interface do usuário com o profissional de saúde. (Divulgação/Techtudo)

É importante ressaltar que a Telemedicina não funciona para todas as patologias, mas pode agregar grande valor ao acompanhamento de um paciente para resolver questões mais simples, como por exemplo, solicitar uma receita, uma prescrição, um medicamento ou outro exame. “A pessoa pode fazer uma consulta com seu médico em 10 minutos em vez de gastar 1 hora no trânsito ou horas no pronto-socorro ou na fila do consultório até ser atendida”, argumenta Immo Paul.

A Telemedicina é viabilizada hoje, principalmente, por meio do celular do paciente, sem equipamentos para monitoramento; contudo, essa prática ainda não é realidade no Brasil, mas sim uma visão. “É um processo, mas acredito que daqui a cinco ou dez anos, todos deverão usar a Telemedicina e ela será uma parte importante do atendimento e cuidado da população brasileira”, salienta Paul.

A infraestrutura necessária para a inclusão da Telemedicina em uma casa é simples, bastando contar com uma boa conexão Wi-Fi; celular com 4G ou 5G; iluminação branca fria – 6.500K (sem flicker); ar-condicionado com capacidade de limpeza de filtros; baixo ruído externo; conjunto de tomadas destinadas aos aparelhos acima das bancadas e criados-mudos.

Modelo de Rack para clínica digital.


O impasse da regulação

A regulação é o fator primordial para que a saúde domiciliar no Brasil seja predominante nos próximos anos. A Telemedicina mostrou-se necessária a todos em 45 dias após o início da pandemia por Covid-19, antecipando um planejamento previsto de mais de 10 anos de curva de aprendizado.

Para Costa, a mesma Lei que autoriza a Telemedicina provisoriamente no Brasil é a responsável pelo grande risco jurídico e insegurança de novos investimentos. “O Brasil necessita de uma regulação urgente, como já é feito em grande parte do mundo, incluindo países como Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Canadá, que possibilitaram expandir os serviços e suas boas práticas”, destaca.

Ele conta que, antecipadamente à votação definitiva da lei sobre Telemedicina, o CFM/ANVISA, que serão os órgãos reguladores no Brasil, já declararam proibição da Telemedicina para Medicina do Trabalho, proibição das interconsultas com médicos de outros estados e, brevemente, deverão estabelecer o valor das tele consultas com métricas de referência ao presencial. “Há, porém, uma pauta bastante preocupante em discussão: se a primeira consulta poderá ou não ser executada virtualmente, restringindo enormemente a prática de Telemedicina no Brasil”, observa.

A Medicina é altamente regulada pelo FDA/Anvisa e outras entidades de classe que inviabilizam que dispositivos médicos inteligentes possam ser registrados com agilidade. “Para se ter uma ideia, produtos wireless podem demorar até sete anos para obtenção de registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil. Existem diversos produtos destinados à Medicina Remota, que permitem alta capacidade diagnóstica pelos médicos e muitos necessitam ser reprojetados para as necessidades de regulamentação no País”, relata Costa.

Exemplo de produto multifuncional para Telemedicina.


Atualmente, no Brasil, existem mais de 400 empresas que oferecem Telemedicina, mas, com a nova regulação, pouco mais de 4% terão capacidade de adequação às necessidades junto à ANVISA. “O setor de tele consultas via app está em franca expansão, porque ainda é um campo pouco explorado e com grande potencial de crescimento, mas o risco jurídico e as regulamentações já impostas pelo CFM/ANVISA travaram o mercado de modo a todos estarem esperando o que vem pela frente”, enfatiza Costa, que não acredita que a Telemedicina no celular tipo app seja continuada com a nova regulamentação. “Como em todos os outros mercados já regulados, houve o downgrade destes apps para serviços administrativos, preventivos e de orientação, prevalecendo um modelo chamado Medicina Domiciliar Instrumentada Sob Demanda, onde auxiliares de enfermagem vão aos clientes conforme o agendamento”.

Neste sentido, outra possibilidade é a expansão das clínicas digitais em diversos pontos da cidade, incluindo ambulatórios dentro de condomínios de alta renda ou sêniores.

No exterior, com os condomínios 55+ “Senior Living” em alta, há uma enorme demanda de Medicina Domiciliar e ambulatórios do tipo Walk in sendo instalados próximos aos usuários, permitindo que toda a manutenção da saúde seja de fácil acesso.

Já no Brasil, existem alguns projetos iniciais de prédios destinados a sêniores, com ideia de implantação de ambulatórios equipados com clínicas digitais. “Que a regulação venha rápido, para que não fiquemos atrás da transformação global”, finaliza Costa.

Participe do Lar Inteligente 360º

O tema “Telemedicina e Saúde na Casa Conectada” será discutido no Lar Inteligente 360º, evento on-line que está sendo realizado de 14 a 28 de outubro de 2021.

Já em sua segunda edição, o encontro tem como público-alvo arquitetos, decoradores, designers de interiores, profissionais da construção civil, projetistas, lighting designers, influenciadores, especificadores, integradores, formadores de opinião, dentre outros.

As inscrições são gratuitas.

Lar Inteligente 360 - edição 2021 - Primeiro dia

 O evento de 2021 iniciou no dia 14 de outubro com duas apresentações cujo tema principal foi: "A Importancia da Automação na Iluminação Residencial". Foram convidados para este dia os palestrantes Cesar Ribeiro e Juliana Iwashita

Na primeira apresentação, Cesar discorreu sobre varios aspectos que demonstram o porque da crescente utilização de recursos de automação para obter resultados diferenciados e até essenciais nos projetos luminotécnicos. Facilidade de uso, conforto e eficiencia energética estão entre os principais argumentos.

Para assistir a gravação da palestra clique aqui

Na segunda apresentação, Juliana Iwashita apresentou as novas caracteristicas que estão sendo incluidas nos projetos luminotecnicos e que possibilitam uma sensivel melhora na qualidade de vida dos usuários, através de utilização de cores, espectros, variação de intensidade luminosa e demais propriedades disponiveis nas luminárias de tecnologias mais modernas. E, também, mostrou a importancia da automação para obter o resultado esperado nestes projetos 

Para assistir a gravação da palestra clique aqui

Também recomendamos a leitura deste artigo onde os temas abordados pelos apresentadores está também detalhado: Tecnologia em favor da saúde

Completando o dia, tivemos apresentações de duas empresas apoiadoras do evento. Clique nos logotipos abaixo para conhecer suas soluções.


Luz certa, na hora certa

A iluminação dinâmica é elemento essencial para promover uma rotina mais saudável, minimizar desconfortos e melhorar a performance nas atividades domésticas

Nunca a relação entre conforto, bem-estar e produtividade foi tão importante como na experiência coletiva proveniente da pandemia de Covid-19. A casa, que sempre esteve relacionada à proteção, acolhimento e descanso no final do dia, passou a ser o escritório, a sala de aula, a academia, entre outros ambientes corriqueiros, como parte de uma nova realidade na vida de milhões de pessoas.

Neste cenário, o conceito de casa inteligente tem ganhado fôlego e representa uma boa oportunidade de consolidar algo que, a princípio, era distante e pouco urgente em um cotidiano de normalidade aparente.

O número crescente de smartphones associados a uma nova geração de dispositivos controlados via Wi-Fi, IR e Bluetooth vem aumentando de forma considerável a quantidade de residências que possuem algum tipo de automação e o acesso dos brasileiros às tecnologias.

A iluminação, muitas vezes, é o primeiro contato dos usuários com dispositivos conectados, e faz parte de qualquer ecossistema de Smart Home. Por meio dela, é possível estabelecer uma rotina saudável, com menor desconforto e maior performance e, neste contexto, o uso da iluminação dinâmica deve ser considerado para trazer mais conforto e bem-estar aos moradores.

“Com a nossa experiência ‘forçada’ de home office, ou trabalho remoto, ficou mais evidente a necessidade de melhorar a dinâmica em nossas residências. É uma grande oportunidade de iniciar e implantar todo o potencial que a ‘luz certa, na hora certa’, pode trazer de benefício para as nossas vidas”, declara Mônica Luz Lobo, arquiteta e lighting designer, certificada pelo CLD, fundadora e diretora criativa da LD Studio e presidente do conselho consultivo do Kelving LAB, pioneiro em um formato de facilitador e propulsor da indústria de iluminação, no sentido de desmistificar o uso da iluminação em todo o seu potencial tecnológico, seja no uso inteligente e inovador da modulação espectral, seja em seu desdobramento dinâmico.

Monica Luz Lobo, arquiteta e lighting designer

O Kelving Lab agrega iluminação e automação e faz essa integração por meio de experimentação, pesquisa, aplicação e compatibilização de todo o ecossistema. “Traz ao mercado soluções seguras e focadas em aplicações testadas e inovadoras, fruto de um pensamento holístico, onde o usuário é o alvo”, completa Mônica.

Com o desejo de disseminar o uso da iluminação dinâmica e seu potencial de promover bem-estar e performance, nasceu o Daynamic.org, que visa construir uma aliança entre fabricantes, projetistas, clientes e organizações, por meio de investimento em pesquisa, tecnologia e educação. “Destaco que a experiência que estamos vivendo por conta da pandemia de Covid-19 nos trouxe a compreensão de que a colaboração é a saída para um futuro mais justo, inclusivo e feliz”, afirma Mônica.

Ela acrescenta que “o diálogo e real colaboração entre todos os atores deste ecossistema é chave para a fácil tangibilização de valor de todo o potencial que a iluminação dinâmica pode oferecer”.

Essa colaboração torna-se fundamental, porque ainda há muita falta de diálogo entre os agentes que atuam nos projetos. “Como lighting designer, sempre sofro consequências da não compatibilidade entre equipamentos de iluminação (luminárias), equipamentos auxiliares e sistemas de controles. Para o cliente, este não funcionamento fácil do sistema é sempre frustrante, assim como para nós profissionais também”, observa a especialista.

Com o intuito de fazer experiências de integração entre luminárias e produtos de automação, foi criado um laboratório experimental no Rio de Janeiro e outro em São Paulo, onde é feita a compatibilização prévia entre as placas de LED que compõem as famílias espectrais proprietárias (Kandle, Skarlet e Skye), equipamentos auxiliares e sistemas de controles.

Mônica Lobo explica que a realidade da iluminação dinâmica em ambientes residenciais ainda não é praticada no Brasil, justamente pela falta de oferta de soluções completas, confiáveis e simples. “Neste nicho o Kelving LAB dedica-se a atuar e inovar”.

Conforto e bem-estar em casa

O termo “iluminação dinâmica” consiste na variação dos índices fotométricos ou espectrais da luz durante um determinado período.

Ao contrário do que possa parecer, não há nada de tecnológico nisso. Muito pelo contrário: a principal fonte de iluminação do planeta é o Sol, ou seja, é dinâmica, e a dinamização se dá em função da variação de sua intensidade e espectrometria de acordo com os movimentos de rotação e translação da Terra em torno do Sol e em seu próprio eixo.

O uso da iluminação estática como alternativa à luz natural é relativamente recente. Refere-se a apenas 150 anos, quando o desenvolvimento das lâmpadas de filamento de carbono à vácuo pelo britânico Joseph Wilson e pelo americano Thomas Edson possibilitou seu uso em larga escala.

“A iluminação dinâmica, que vem se tornando cada vez mais usual em função de sua aplicação direcionada à redução do consumo de energia elétrica e, recentemente, para melhorias na saúde e bem-estar, deve ser considerada um resgate e não uma inovação”, ressalta Flavio Berman, publicitário WELL AP® e CEO do Kelving LAB.

Flavio Berman, CEO do Kelving LAB.

Ele explica que, por meio da iluminação dinâmica, torna-se possível a sincronização de certos padrões de iluminação interna com o ambiente externo de forma contínua. O bom funcionamento dos sistemas fisiológicos humanos está relacionado ao ritmo circadiano, que é regulado pela resposta do organismo a padrões de iluminação distintos durante o dia. “Em situações em que temos pouca incidência de luz natural, estes índices não variam, e as consequências a curto prazo estão geralmente relacionadas a distúrbios do sono, que acabam por tirar do lar uma de suas principais finalidades, que é a do descanso”, analisa Berman.

Além dos benefícios fisiológicos, ligados aos sistemas visuais, a iluminação dinâmica possibilita os comportamentais, ligados aos sistemas não visuais. “Nisso, nós, lighting designers, temos todo um histórico em lidar com esta subjetividade, fazer uso de todo o potencial que a tecnologia nos oferece hoje e desenhar um mundo melhor”, enfatiza Mônica.

Dependendo de como for aplicada nas residências, a iluminação dinâmica tem a capacidade de integrar ou dissociar espaços para facilitar o dia a dia. Para isso, já são utilizados diferentes padrões de iluminação em quartos, salas, cozinhas e demais áreas úteis, os quais geralmente estão associados à necessidade de execução de atividades em cada um destes locais.

Flavio Berman diz que, considerando que poucas residências têm um espaço reservado para o trabalho, é possível utilizar a variação dos padrões de iluminação, como integrar duas áreas em um mesmo ambiente quando se deseja apenas lazer ou apenas trabalho, e dissociá-las quando um ocupante deseja assistir à televisão e o outro trabalhar, por exemplo.

Produtividade no home office

O contexto do isolamento social e a consequente adoção do home office de forma compulsória ocasionou naturalmente uma corrida por ferramentas de produtividade que pudessem responder às demandas de uma rápida e necessária adaptação.

Um estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV – EASP), em parceria com a Liga Ventures,  em maio de 2020, constatou que os principais desafios para a manutenção da produtividade no trabalho remoto eram:

Manutenção da Concentração – avaliado por 32,7% dos entrevistados como um desafio “muito difícil” ou “moderadamente difícil”;

Manutenção da Motivação – avaliado por 29,7% dos entrevistados como um desafio “muito difícil” ou “moderadamente difícil”;

Manutenção da Produtividade – avaliado por 33,1% dos entrevistados como um desafio “muito difícil” ou “moderadamente difícil”.

E, finalmente, 55,3% dos entrevistados apontaram uma rotina equilibrada entre trabalho e lazer como um desafio “muito difícil” ou “moderadamente difícil”, representando a maioria.

Berman conta que se dedica ao estudo do impacto de padrões espectrais distintos no bem-estar e na produtividade em diversos ambientes corporativos, utilizando parte destas variáveis como métricas para a avaliação da implementação de sistemas de iluminação dinâmica. “Considerando que em alguns casos nos quais os colaboradores obtiveram uma melhoria nas mesmas variáveis, partindo de condições de iluminação similares à maioria dos espaços escolhidos para o trabalho remoto, entendi que a iluminação dinâmica é e será uma ferramenta bastante efetiva para o aperfeiçoamento da produtividade na futura implementação do home office em larga escala”.

Arquitetura integrativa nos projetos

Os projetos de arquitetura e integração precisam respeitar o que se denomina iluminância vertical, a quantidade e a qualidade da iluminação que atinge o nervo ótico, sendo necessário calcular de forma precisa qual será a iluminação resultante da fonte de luz, tetos, paredes, pisos e mobiliários.

A arquitetura integrativa busca justamente integrar todas as disciplinas presentes na construção do espaço em prol de um ambiente que não seja apenas bonito esteticamente, mas que atenda às necessidades dos usuários. “Para tal, os lighting designers ou arquitetos envolvidos no projeto precisam dominar esta nova técnica e entender a fundo as demandas fisiológicas, afetivas e funcionais dos usuários, antes mesmo de começar a projetar”, orienta Berman.

Após determinadas as características da iluminação pretendida para os espaços em cada hora do dia, os canais de dimerização devem ser programados individualmente.

Como lighting designer com 24 anos de experiência, desenhando projetos de iluminação, Mônica Lobo diz que o principal componente para o sucesso de um projeto é a escuta. “A análise profunda de todos os aspectos pertinentes ao universo do projeto e uma boa dose de abstração e intuição, levam a um bom resultado”.

Tecnologias como warm to dim, tunable white e RGBW trazem infinitas possibilidades para enriquecer os projetos de iluminação, fazendo com o que o “tempo” ou a variação natural que ocorre ao longo do dia, incorpore-se aos projetos. “É incrível como esquecemos dessa relação”, salienta Mônica.

De acordo com Flavio Berman, a tecnologia de Branco Dinâmico, que consiste em se trabalhar com duas temperaturas de cor distintas, geralmente, uma morna e outra fria na mesma luminária, é umas das principais inovações nesse sentido. “A dimerização dos canais é programada de forma individual e independente, de forma que se possa alterar a temperatura de cor da luminária e seu fluxo de acordo com o resultado pretendido”, explica. 

As fotos a seguir mostram um espaço de uma sala de jantar dinamizada, com temperaturas de cores que vão da mais morna para a mais fria. Trata-se da Loja Novo Ambiente, espaço de decoração corporativa e residencial em São Paulo. Cada imagem está com uma respectiva temperatura de cor e evidencia como uma sala de jantar pode ser transformada em sala de reunião.


Créditos: Kelving LAB

As normas relacionadas a bem-estar e produtividade ainda são pouco difundidas no Brasil. Contudo, institutos como o WELL® vêm disseminando padrões de saúde e bem-estar em ambientes corporativos nos últimos anos.

Com o isolamento social, cresceu o número de iniciativas que têm por objetivo a aplicação das normas no âmbito residencial; no entanto, ainda não são expressivas no País.

Participe do Lar Inteligente 360º

O tema “Valorizando o conforto ambiental e o bem-estar em casa” será apresentado na segunda edição do evento Lar Inteligente 360º, que acontecerá entre os dias 14 e 28 de outubro de 2021, por transmissão on-line.

No dia 19 de outubro, Mônica Lobo ministrará a palestra: “Daynamic.org – A colaboração como estratégia para a disseminação da iluminação dinâmica” e Flavio Berman falará sobre: “A iluminação dinâmica como ferramenta de produtividade no home office e bem-estar no ambiente residencial”.

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Empreendimentos inteligentes em alta

O desenvolvimento tecnológico aliado a plantas atuais busca oferecer segurança e praticidade aos ocupantes, agregando diferenciais de valor aos imóveis

A evolução das tecnologias vem ocorrendo de forma acelerada no mercado imobiliário e, dentro dessa realidade, a expansão da automação em empreendimentos residenciais e corporativos é inevitável. Em função desse desenvolvimento constante, na concepção tanto de unidades quanto de áreas comuns, é necessário prever ao máximo as inovações que podem surgir nos próximos anos, permitindo, assim, que o comprador de um imóvel o atualize sem grandes barreiras.

Depois dos sistemas centralizados, surgiram os sistemas ponto a ponto, em que cada equipamento pode se conectar a outros itens de automação existentes no imóvel, sem a necessidade de uma rede centralizada, o que barateou os custos e trouxe soluções cada vez mais elegantes em termos de design e funcionalidades.

Dentro da unidade autônoma, hoje, existem os equipamentos que “conversam” por Wi-Fi, uma rede plenamente presente no dia a dia das pessoas. Além disso, os assistentes de voz chegaram para facilitar a rotina dos ocupantes do edifício, programando o fechamento de persianas em caso de mudanças no tempo; acendimento de luzes dos ambientes em horários programados ou pela aproximação de seu morador; ligar e desligar o ar-condicionado da casa programado pela presença de alguém ou pelo horário, e tudo isso de qualquer local do mundo por meio do celular, não sendo necessário um controle remoto caro ou sofisticado.

Nas áreas comuns dos empreendimentos, seguiu-se a mesma lógica: primeiramente, em empreendimentos de padrão mais elevado, devido ao custo dos equipamentos centralizados, até os dias atuais, com equipamentos mais baratos e fáceis de serem operados e programados, ajudando nos controles de segurança, na economia de energia elétrica e de água etc.

Nelson Parisi Junior, presidente da Rede Imobiliária Secovi-SP explica que esses não são itens rotineiros entregues pelas incorporadoras, mas que isso deve acontecer em breve. “Ainda hoje, prevalecem itens de lazer e segurança, mas a automação deverá ser a grande aliada da vida moderna no futuro”.

A automação possibilita uma operação mais simples e econômica. Por exemplo: não é necessário criar manuais de procedimentos para que o zelador e/ou portaria acenda ou apague luzes ou ligue e desligue bombas em determinados horários. Basta isso estar programado no sistema de automação, que tudo acontecerá no horário desejado. “Isso significa redução dos custos de treinamento e de pessoal, além de melhor uso da energia elétrica e otimização nos tempos de manutenção dos diversos sistemas existentes nos empreendimentos”, declara Nelson Parisi Junior.

Sistemas de segurança integrados à automação também permitem que, de dentro de cada unidade ou mesmo de outro local, os moradores possam acompanhar o que seus filhos estão fazendo nas áreas de lazer, por exemplo.

Com a chegada da Internet das Coisas (IoT) e da Tecnologia 5G, uma série de controles e problemas atualmente existentes com relação a manutenções serão resolvidos pelos sistemas. “O sistema pode avisar a empresa de manutenção, por exemplo, que chegou o momento de proceder determinada manutenção nos elevadores, ou mesmo comunicar problemas existentes”, comenta o dirigente do SECOVI-SP.

O mesmo pode acontecer com sistemas de portões, iluminação, bombas, aquecedores, segurança, câmeras, entre outros.

Atualmente, empreendimentos pequenos estão adotando portarias virtuais, a fim de baratear custos de operação do condomínio. A automação vem participar desse novo sistema como grande aliada, pois, com a redução de prestadores de serviços nos locais, tornam-se importantes os procedimentos automatizados.

Nelson Parisi Junior exemplifica os benefícios da automação que muitas vezes passam despercebidos no ritmo cotidiano. “Fornecemos a chave de nosso imóvel para que a empregada doméstica ou mesmo a diarista possa adentrar. Com isso, corremos risco de essa chave ir para as mãos de gente errada ou mesmo, na troca dessa funcionária, termos de trocar a fechadura ou segredo. Com uma fechadura digital e integrada na automação da casa, podemos liberar uma chave virtual que só vai funcionar em determinado horário e dia e, quando trocamos a funcionária, basta gerarmos outra chave virtual, e tudo estará seguro”.

Atualmente, as incorporadoras vêm buscando diferenciais para atrair seus consumidores e, cada vez mais, com o barateamento dessas tecnologias modernas e descentralizadas, têm surgido empreendimentos com agregados de automação tanto nas áreas comuns como nas unidades autônomas.

No passado, devido ao custo dos equipamentos e da necessidade de mão de obra muito especializada, tornava-se bastante caro e viável apenas em empreendimentos de alto luxo. Hoje, já é possível, mesmo em empreendimentos de médio padrão serem incluidos e entregues pelas incorporadoras itens básicos, tais como: painéis para controle de iluminação, fechaduras etc.

Para Nelson Parisi Junior, “a automação deve permitir que seu usuário poupe tempo com as tarefas básicas de uma casa, e com isso sobre mais tempo para suas atividades profissionais, junto de sua família e no lazer”.

Case de sucesso: empreendimentos residenciais – Linha Practical Life

Além de atuar no SECOVI-SP, Nelson Parisi Junior também é sócio-fundador da Practical Soluções Imobiliárias, onde desenvolveu a Linha Practical Life de empreendimentos residenciais com automação.

Atuando na comercialização e desenvolvimentos de produtos imobiliários residenciais desde a década de 1980, a empresa buscou, em um primeiro momento, acrescentar aos empreendimentos soluções para facilitar o dia a dia de seus moradores, como por exemplo: lavanderia coletiva, central de congelados, PABX, central de web, serviços de arrumação e limpeza, entre outros.

Com a evolução das tecnologias, a empresa passou a incorporar itens de automação nas unidades autônomas, para agregar uma infraestrutura centralizada e permitir ao cliente, instalar e atualizar seus itens favoritos de automação, tais como: iluminação, cortinas, home theaters, ar-condicionado etc. em um único local de controle.

Nos anos 1990, a linha de Produtos Practical Life buscou parceria com a IBM para instalar infraestrutura centralizada para automação de unidades – sistema Home Net Center, que era composto por um servidor no empreendimento, responsável por fornecer, por meio de cabeamento, Internet em todas as unidades, sendo que dentro das unidades existia uma caixa de automação que permitia ao seu morador controlar iluminação e mais alguns itens básicos com controle remoto.

“A contratação desses sistemas se deu no início da obra do empreendimento, e, quando, da entrega do mesmo, algo como 24 meses após já era coisa do passado”, relembra o empresário.

Ele conta ainda que a linha Practical Life se iniciou na busca de solucionar as necessidades básicas de moradores residenciais. “No final dos anos 1980, tínhamos empreendimentos residenciais e os flats – sistema de hospedagem de curta permanência. Observamos naquele tempo que diversos clientes já vinham comprando flats para terem vidas mais práticas e assim não se preocuparem com problemas domésticos – empregada, lavagem das roupas etc.”

Por conta disso, nesse momento, a empresa resolveu criar um empreendimento com esses sistemas de praticidades – recepção, em vez de portaria; central de congelados; lavanderia no local; serviços de arrumação e limpeza das unidades; central de PABX, visto que os custos de linhas telefônicas eram caros. “Tudo isso muito mais em conta do que morar em um flat, onde seus vizinhos eram desconhecidos e havia grande impessoalidade”, afirma.

Assim sendo, no início, foram desenvolvidos os empreendimentos Practical Life com um e dois dormitórios, que permitiam junções de suas unidades. Esses empreendimentos não tinham praticamente nada de automação, mas apenas serviços para seus moradores.

Após alguns anos, com a evolução da automação, foram lançados os primeiros empreendimentos de três dormitórios – já sem a preocupação com os serviços, mas com maior foco na automação residencial – facilidades e controles.

Esses empreendimentos, desde o início dos anos 2000, são construídos pela Construtora Bracco, empresa com mais de 50 anos de mercado, que busca excelência e qualidade nos produtos que constrói. “Nesses anos, pesquisamos e desenvolvemos os empreendimentos com diversos sistemas centralizados e, mais recentemente, descentralizados, tanto nas áreas privativas como nas áreas comuns”, declara Nelson Parisi Junior.


Nos primeiros lançamentos, foram utilizados produtos da linha IBM Home Net Center (imagens abaixo)


Em 2003 e 2004 alguns empreendimentos já utilizaram os primeiros produtos Z-Wave do mercado brasileiro (abaixo)


Em 2007, o destaque foi o Practical Life Campo Belo I onde a solução para as unidades foi um sistema centralizado da linha Bticino e onde foi criado um apartamento decorado que utilizou recursos até então pouco conhecidos, trazendo uma experiencia inédita aos visitantes. 
Assista video gravado em 2007 no apartamento decorado


Créditos Marbie Systems


O último lançamento – 2021 – Practical Life Campo Belo II, empreendimento com apartamentos de dois dormitórios, será entregue com painéis de automação, fechadura e dispositivo de comando de voz em todas as unidades, além de uma série de infraestruturas prontas. “Para se ter uma ideia, dentro da unidade, já existe infra para instalação de ar-condicionado, e nas áreas comuns, toda a infra pronta para, caso a administradora do condominio resolva utilizar portaria virtual, tudo seja mais simples e econômico”, afirma o especialista.

Abaixo, imagens do apartamento decorado do empreendimento (2021)

Créditos Paulo Bareta

Abaixo, video mostrando o apartamento decorado do empreendimento (2021)

Créditos FlexAutomation

Uma apresentação com o tema deste artigo será apresentada por Nelson Parisi Jr,  a convite da AURESIDE, no dia 5 de outubro de 2021 como prévia ao evento Lar inteligente 360.

Para assistir esta apresentação e participar do evento, visite esta página e faça sua inscrição gratuitamente https://larinteligente.com.br/evento-online 

Tecnologia em favor da saúde

O uso da automação residencial e de tecnologias de iluminação desenvolvidas para desinfecção de ambientes visam assegurar o conforto e a saúde dos moradores

A automação residencial tem ganhado força a cada ano e vem se popularizando com a rápida evolução da Internet das Coisas, ou Internet of Things, que possibilita a comunicação e interface de diversos tipos de produtos.

O controle da iluminação, por exemplo, foi muito facilitado com a presença de lâmpadas e fitas de LED inteligentes conectadas ao Wi-Fi da residência, que podem ser controladas, (ligadas, desligadas e dimerizadas), além de mudar de tonalidade de cor por meio de aplicativos de celular e comandos de voz, como Alexa ou Google Assistente.

A automação pode enfatizar recursos do projeto de iluminação, seja criando cenas para diferentes usos dos espaços, seja mudando características cromáticas dos espaços com uso de temperaturas de cor distinta para diferentes horários ou atividades dos ocupantes.

Os principais aspectos para definir os tipos de soluções de iluminação de uma residência são: os usos dos espaços e suas tarefas; arquitetura e influência da iluminação natural; perfil e preferências dos moradores e budget disponível.

A redução de preços de produtos, o aumento de fornecedores, a facilidade de compra, muitas vezes, por meio de e-commerces e a instalação dos equipamentos pelos próprios usuários são fatores que têm favorecido a adoção de sistemas de automação em residências. “Educação, disseminação de conhecimento, como o trabalho que a Associação Brasileira de Automação Residencial e Predial (AURESIDE) vem fazendo, além de exposições e/ou mostras de casas inteligentes são fundamentais para imergir o usuário final na experiência da automação residencial”, declara Juliana Iwashita Kawasaki, arquiteta e diretora da Exper Soluções Luminotécnicas, empresa que oferece serviços especializados na área de iluminação e eficiência energética.



Juliana Iwashita, arquiteta e diretora da Exper Soluções Luminotécnicas.

Luz e saúde

A luz exerce um papel importante sobre a saúde. Ela pode deixar o ser humano mais alerta ou mais relaxado, além de influenciar em seu ciclo circadiano, impactando tanto positiva quanto negativamente.

Ainda não existe norma brasileira que defina os parâmetros de índice de reprodução de cor (IRC) e temperatura de cor para residências, mas o ideal é que se tenha índices de reprodução de cor mais altos possíveis, acima de 80. “Não há uma regra para temperaturas de cor; contudo, o mais indicado é usar temperaturas de cor quentes em ambientes onde se queira tornar mais aconchegantes, como quartos e salas, e temperaturas neutras ou frias em áreas de trabalho, como cozinhas, escritórios, áreas de serviço”, explica Juliana.

Cada vez mais, estudos e pesquisas são realizados para analisar a influência da luz nos ambientes residenciais, trazendo recomendações como redução da exposição da luz azul no período noturno.

Tecnologia UV-C

Em função da pandemia de COVID-19, novas tecnologias para assepsia de ambientes estão surgindo. Umas delas é a Tecnologia UV-C e muitos fornecedores de produtos de iluminação começaram a estudá-la e a oferecer soluções, uma vez que se assemelha a um produto de iluminação.

Pesquisas comprovaram que a radiação UV-C é eficaz para eliminação do vírus Sars-CoV-2, conforme publicado pela Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux), e isso vem provocando o desenvolvimento de novos produtos com essa tecnologia no Brasil e no mundo.

A radiação ultravioleta do tipo C (UVC) é conhecida por ser altamente germicida. Capaz de eliminar vírus, fungos e bactérias com pouco tempo de exposição, é uma radiação compreendida entre 100nm e 280nm, não existente de forma natural na superfície da Terra, pois é absorvida pela camada de ozônio.

Os raios ultravioletas no espectro C podem destruir a estrutura do DNA do material genético de micro-organismos como vírus, bactérias, fungos, levedos e mofos, além de algas e protozoários, matando ou privando sua capacidade de reprodução. O UV-C, ao incidir nos vírus, destrói tanto sua camada protetora quanto o material genético, inativando-o.

Essa tecnologia tem se apresentado como uma alternativa viável para descontaminação de ambientes, por meio do surgimento de diversos tipos de equipamentos e dispositivos que podem ser usados em distintas aplicações.

Seu uso é indicado para desinfecção do ar e superfícies, desde que sejam observadas as aplicações de segurança para não exposição da radiação aos usuários ou os equipamentos tenham a radiação UV-C enclausurada.

Existem equipamentos voltados ao mercado residencial, porém muito cuidado deve ser tomado para não ocorrer a incidência de radiação UV-C em seres humanos, animais e plantas. “O ideal é que a radiação esteja contida em equipamentos fechados ou que as fontes de UVC sejam desligadas assim que se seja detectada ocupação do espaço. Desta forma, é uma tecnologia que tende a ser utilizada em conjunto com soluções de controle e automação, como sensores de presença”, destaca a arquiteta.

Em um recente trabalho que desenvolveu para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade de São Paulo (USP), sobre Saúde (COVID-19 e outros vírus), como parte do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Juliana Iwashita destaca os benefícios da tecnologia, porém alerta que a radiação UV-C pode ser danosa a seres vivos, podendo provocar problemas na pele e nos olhos. A exposição a curto prazo pode queimar a pele, enquanto a exposição a longo prazo ou a alta intensidade pode causar carcinomas.

SterBox - Higienizador de ar para ambientes em geral.

Aumentos de casos de fotoqueratites, inflamação da conjuntiva e córnea, em função da exposição às lâmpadas de UV-C também podem ocorrer caso medidas de proteção não sejam corretamente cumpridas (SENGILLO et al., 2021).

Atualmente, estão disponíveis soluções com a tecnologia UV-C integrada, em equipamentos como câmaras ou cabines, bolsas, caixas, varinhas, aspiradores de pó, carrinhos, robôs, filtros de ar e luminárias. Alguns equipamentos contam com a tecnologia LED.

A pesquisa feita pela arquiteta Juliana também informa que os equipamentos com lâmpadas ultravioletas de baixa pressão geralmente são mais potentes. Estas lâmpadas possuem pico em 253,7nm e possuem maiores intensidades de irradiância e menores preços que os LEDs UV-C disponíveis atualmente. Por esta razão, têm sido as fontes germicidas mais incorporadas aos equipamentos utilizados para assepsia de ambientes.

Determinados produtos apresentam acendimento por meio de controles remotos com temporizador, o que reduz o risco de exposição das pessoas à radiação; entretanto, outros produtos são fabricados e comercializados sem a apresentação de qualquer tipo de sistema de controle para segurança.

Uma solução de menor risco aos usuários seria a utilização de luminárias UV-C com luz indireta, com emissão de irradiação para a parte superior do ambiente. Conjugada a um sistema de circulação do ar, esta solução higieniza o ar presente no ambiente e serviria como uma alternativa complementar para descontaminação de ambientes.

A tecnologia UV-C tem se destacado como uma solução de mitigação para transmissão do Sars-CoV-2 e outras doenças. Entretanto, estudos para demonstrar a eficácia na prática, avaliação de produtos por parte de órgãos reguladores e educação da população são necessários para que esta tecnologia seja efetivamente utilizada como medida mitigadora de médio prazo.

O tema “Como a Luz pode impactar na saúde da Sua Residência” será abordado mais a fundo em palestra ministrada pela especialista Juliana Iwashita, durante o Lar Inteligente 360º, que será realizado entre os dias 14 e 28 de outubro de 2021, em ambiente totalmente virtual.

As inscrições são gratuitas. Clique aqui para fazer a sua!

Promovido pela Aureside, o evento já está em sua 2ª edição e tornou-se o principal encontro sobre casas inteligentes e conectadas do País, no qual discute temas inéditos e apresenta as últimas inovações tecnológicas.

Tem como público-alvo arquitetos, decoradores e designers de interiores, profissionais da construção civil, influenciadores, especificadores, integradores, formadores de opinião, dentre outros.


                                     Mais informações estão disponíveis no site:
www.larinteligente.com.br

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