Luz certa, na hora certa

A iluminação dinâmica é elemento essencial para promover uma rotina mais saudável, minimizar desconfortos e melhorar a performance nas atividades domésticas

Nunca a relação entre conforto, bem-estar e produtividade foi tão importante como na experiência coletiva proveniente da pandemia de Covid-19. A casa, que sempre esteve relacionada à proteção, acolhimento e descanso no final do dia, passou a ser o escritório, a sala de aula, a academia, entre outros ambientes corriqueiros, como parte de uma nova realidade na vida de milhões de pessoas.

Neste cenário, o conceito de casa inteligente tem ganhado fôlego e representa uma boa oportunidade de consolidar algo que, a princípio, era distante e pouco urgente em um cotidiano de normalidade aparente.

O número crescente de smartphones associados a uma nova geração de dispositivos controlados via Wi-Fi, IR e Bluetooth vem aumentando de forma considerável a quantidade de residências que possuem algum tipo de automação e o acesso dos brasileiros às tecnologias.

A iluminação, muitas vezes, é o primeiro contato dos usuários com dispositivos conectados, e faz parte de qualquer ecossistema de Smart Home. Por meio dela, é possível estabelecer uma rotina saudável, com menor desconforto e maior performance e, neste contexto, o uso da iluminação dinâmica deve ser considerado para trazer mais conforto e bem-estar aos moradores.

“Com a nossa experiência ‘forçada’ de home office, ou trabalho remoto, ficou mais evidente a necessidade de melhorar a dinâmica em nossas residências. É uma grande oportunidade de iniciar e implantar todo o potencial que a ‘luz certa, na hora certa’, pode trazer de benefício para as nossas vidas”, declara Mônica Luz Lobo, arquiteta e lighting designer, certificada pelo CLD, fundadora e diretora criativa da LD Studio e presidente do conselho consultivo do Kelving LAB, pioneiro em um formato de facilitador e propulsor da indústria de iluminação, no sentido de desmistificar o uso da iluminação em todo o seu potencial tecnológico, seja no uso inteligente e inovador da modulação espectral, seja em seu desdobramento dinâmico.

Monica Luz Lobo, arquiteta e lighting designer

O Kelving Lab agrega iluminação e automação e faz essa integração por meio de experimentação, pesquisa, aplicação e compatibilização de todo o ecossistema. “Traz ao mercado soluções seguras e focadas em aplicações testadas e inovadoras, fruto de um pensamento holístico, onde o usuário é o alvo”, completa Mônica.

Com o desejo de disseminar o uso da iluminação dinâmica e seu potencial de promover bem-estar e performance, nasceu o Daynamic.org, que visa construir uma aliança entre fabricantes, projetistas, clientes e organizações, por meio de investimento em pesquisa, tecnologia e educação. “Destaco que a experiência que estamos vivendo por conta da pandemia de Covid-19 nos trouxe a compreensão de que a colaboração é a saída para um futuro mais justo, inclusivo e feliz”, afirma Mônica.

Ela acrescenta que “o diálogo e real colaboração entre todos os atores deste ecossistema é chave para a fácil tangibilização de valor de todo o potencial que a iluminação dinâmica pode oferecer”.

Essa colaboração torna-se fundamental, porque ainda há muita falta de diálogo entre os agentes que atuam nos projetos. “Como lighting designer, sempre sofro consequências da não compatibilidade entre equipamentos de iluminação (luminárias), equipamentos auxiliares e sistemas de controles. Para o cliente, este não funcionamento fácil do sistema é sempre frustrante, assim como para nós profissionais também”, observa a especialista.

Com o intuito de fazer experiências de integração entre luminárias e produtos de automação, foi criado um laboratório experimental no Rio de Janeiro e outro em São Paulo, onde é feita a compatibilização prévia entre as placas de LED que compõem as famílias espectrais proprietárias (Kandle, Skarlet e Skye), equipamentos auxiliares e sistemas de controles.

Mônica Lobo explica que a realidade da iluminação dinâmica em ambientes residenciais ainda não é praticada no Brasil, justamente pela falta de oferta de soluções completas, confiáveis e simples. “Neste nicho o Kelving LAB dedica-se a atuar e inovar”.

Conforto e bem-estar em casa

O termo “iluminação dinâmica” consiste na variação dos índices fotométricos ou espectrais da luz durante um determinado período.

Ao contrário do que possa parecer, não há nada de tecnológico nisso. Muito pelo contrário: a principal fonte de iluminação do planeta é o Sol, ou seja, é dinâmica, e a dinamização se dá em função da variação de sua intensidade e espectrometria de acordo com os movimentos de rotação e translação da Terra em torno do Sol e em seu próprio eixo.

O uso da iluminação estática como alternativa à luz natural é relativamente recente. Refere-se a apenas 150 anos, quando o desenvolvimento das lâmpadas de filamento de carbono à vácuo pelo britânico Joseph Wilson e pelo americano Thomas Edson possibilitou seu uso em larga escala.

“A iluminação dinâmica, que vem se tornando cada vez mais usual em função de sua aplicação direcionada à redução do consumo de energia elétrica e, recentemente, para melhorias na saúde e bem-estar, deve ser considerada um resgate e não uma inovação”, ressalta Flavio Berman, publicitário WELL AP® e CEO do Kelving LAB.

Flavio Berman, CEO do Kelving LAB.

Ele explica que, por meio da iluminação dinâmica, torna-se possível a sincronização de certos padrões de iluminação interna com o ambiente externo de forma contínua. O bom funcionamento dos sistemas fisiológicos humanos está relacionado ao ritmo circadiano, que é regulado pela resposta do organismo a padrões de iluminação distintos durante o dia. “Em situações em que temos pouca incidência de luz natural, estes índices não variam, e as consequências a curto prazo estão geralmente relacionadas a distúrbios do sono, que acabam por tirar do lar uma de suas principais finalidades, que é a do descanso”, analisa Berman.

Além dos benefícios fisiológicos, ligados aos sistemas visuais, a iluminação dinâmica possibilita os comportamentais, ligados aos sistemas não visuais. “Nisso, nós, lighting designers, temos todo um histórico em lidar com esta subjetividade, fazer uso de todo o potencial que a tecnologia nos oferece hoje e desenhar um mundo melhor”, enfatiza Mônica.

Dependendo de como for aplicada nas residências, a iluminação dinâmica tem a capacidade de integrar ou dissociar espaços para facilitar o dia a dia. Para isso, já são utilizados diferentes padrões de iluminação em quartos, salas, cozinhas e demais áreas úteis, os quais geralmente estão associados à necessidade de execução de atividades em cada um destes locais.

Flavio Berman diz que, considerando que poucas residências têm um espaço reservado para o trabalho, é possível utilizar a variação dos padrões de iluminação, como integrar duas áreas em um mesmo ambiente quando se deseja apenas lazer ou apenas trabalho, e dissociá-las quando um ocupante deseja assistir à televisão e o outro trabalhar, por exemplo.

Produtividade no home office

O contexto do isolamento social e a consequente adoção do home office de forma compulsória ocasionou naturalmente uma corrida por ferramentas de produtividade que pudessem responder às demandas de uma rápida e necessária adaptação.

Um estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV – EASP), em parceria com a Liga Ventures,  em maio de 2020, constatou que os principais desafios para a manutenção da produtividade no trabalho remoto eram:

Manutenção da Concentração – avaliado por 32,7% dos entrevistados como um desafio “muito difícil” ou “moderadamente difícil”;

Manutenção da Motivação – avaliado por 29,7% dos entrevistados como um desafio “muito difícil” ou “moderadamente difícil”;

Manutenção da Produtividade – avaliado por 33,1% dos entrevistados como um desafio “muito difícil” ou “moderadamente difícil”.

E, finalmente, 55,3% dos entrevistados apontaram uma rotina equilibrada entre trabalho e lazer como um desafio “muito difícil” ou “moderadamente difícil”, representando a maioria.

Berman conta que se dedica ao estudo do impacto de padrões espectrais distintos no bem-estar e na produtividade em diversos ambientes corporativos, utilizando parte destas variáveis como métricas para a avaliação da implementação de sistemas de iluminação dinâmica. “Considerando que em alguns casos nos quais os colaboradores obtiveram uma melhoria nas mesmas variáveis, partindo de condições de iluminação similares à maioria dos espaços escolhidos para o trabalho remoto, entendi que a iluminação dinâmica é e será uma ferramenta bastante efetiva para o aperfeiçoamento da produtividade na futura implementação do home office em larga escala”.

Arquitetura integrativa nos projetos

Os projetos de arquitetura e integração precisam respeitar o que se denomina iluminância vertical, a quantidade e a qualidade da iluminação que atinge o nervo ótico, sendo necessário calcular de forma precisa qual será a iluminação resultante da fonte de luz, tetos, paredes, pisos e mobiliários.

A arquitetura integrativa busca justamente integrar todas as disciplinas presentes na construção do espaço em prol de um ambiente que não seja apenas bonito esteticamente, mas que atenda às necessidades dos usuários. “Para tal, os lighting designers ou arquitetos envolvidos no projeto precisam dominar esta nova técnica e entender a fundo as demandas fisiológicas, afetivas e funcionais dos usuários, antes mesmo de começar a projetar”, orienta Berman.

Após determinadas as características da iluminação pretendida para os espaços em cada hora do dia, os canais de dimerização devem ser programados individualmente.

Como lighting designer com 24 anos de experiência, desenhando projetos de iluminação, Mônica Lobo diz que o principal componente para o sucesso de um projeto é a escuta. “A análise profunda de todos os aspectos pertinentes ao universo do projeto e uma boa dose de abstração e intuição, levam a um bom resultado”.

Tecnologias como warm to dim, tunable white e RGBW trazem infinitas possibilidades para enriquecer os projetos de iluminação, fazendo com o que o “tempo” ou a variação natural que ocorre ao longo do dia, incorpore-se aos projetos. “É incrível como esquecemos dessa relação”, salienta Mônica.

De acordo com Flavio Berman, a tecnologia de Branco Dinâmico, que consiste em se trabalhar com duas temperaturas de cor distintas, geralmente, uma morna e outra fria na mesma luminária, é umas das principais inovações nesse sentido. “A dimerização dos canais é programada de forma individual e independente, de forma que se possa alterar a temperatura de cor da luminária e seu fluxo de acordo com o resultado pretendido”, explica. 

As fotos a seguir mostram um espaço de uma sala de jantar dinamizada, com temperaturas de cores que vão da mais morna para a mais fria. Trata-se da Loja Novo Ambiente, espaço de decoração corporativa e residencial em São Paulo. Cada imagem está com uma respectiva temperatura de cor e evidencia como uma sala de jantar pode ser transformada em sala de reunião.


Créditos: Kelving LAB

As normas relacionadas a bem-estar e produtividade ainda são pouco difundidas no Brasil. Contudo, institutos como o WELL® vêm disseminando padrões de saúde e bem-estar em ambientes corporativos nos últimos anos.

Com o isolamento social, cresceu o número de iniciativas que têm por objetivo a aplicação das normas no âmbito residencial; no entanto, ainda não são expressivas no País.

Participe do Lar Inteligente 360º

O tema “Valorizando o conforto ambiental e o bem-estar em casa” será apresentado na segunda edição do evento Lar Inteligente 360º, que acontecerá entre os dias 14 e 28 de outubro de 2021, por transmissão on-line.

No dia 19 de outubro, Mônica Lobo ministrará a palestra: “Daynamic.org – A colaboração como estratégia para a disseminação da iluminação dinâmica” e Flavio Berman falará sobre: “A iluminação dinâmica como ferramenta de produtividade no home office e bem-estar no ambiente residencial”.

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