Tecnologia com afeto, uma nova forma de morar.

Autora: Adriana Pestana

Arquiteta e Urbanista
Especialista em Domótica e Edifícios Inteligentes pela Universidade Politécnica de Madri (Espanha)


E quem não gosta de uma casa aconchegante, segura, confortável, que ainda economize energia e que você possa conversar com ela?

Morar com o máximo de praticidade e aconchego não vem sendo as únicas premissas priorizada pelas famílias brasileiras na hora de escolher como morar.

 Preceitos de tecnologia e sustentabilidade, especialmente nessa época em que a queimada das nossas florestas está tão em evidência, também passaram a fazer parte do rol de preferências de quem prioriza o bem viver. Moradias inteligentes acabaram virando sinônimo para tudo isso, aonde todos esses conceitos se unem para proporcionar bem-estar, qualidade de vida e sustentabilidade.

 Vale a pena ressaltar que o conceito de inteligência não está apenas na questão tecnológica da Domótica - termo voltado para a automação residencial desde a década de 70 e disseminado pelo Inteligent Building Institute com sede em NY, pelo mas para a integração de todos os fatores que juntos conseguem propiciar uma nova forma de morar e de se relacionar com a tecnologia dentro da própria casa.

 Esse relacionamento, está diretamente ligado aos principais pilares da Domótica e aqui estamos falando de economia, onde é possível economizar energia de forma expressiva cerca de 30% segundo a AURESIDE (Associação Brasileira de Automação Residencial)  de segurança, que aflige cada vez mais as pessoas em todo o mundo e de conforto, essencial na vida do ser humano, além de uma estética mais leve, harmoniosa e aconchegante.

 O que nos leva a crer que o que importa agora é desacelerar e focar no que realmente importa simplificando o modo de viver, automatizando realmente tarefas que nos proporcionam tempo para conviver com quem amamos e de quem queremos cuidar... pois a distância agora não é mais uma barreira para fazermos isso, já que câmeras e sistemas de automação com controles pelo celular estão cada vez mais comuns no dia a dia da arquitetura residencial e da vida das pessoas.


 Na verdade, estamos falando de sair do automático e resgatar nossas raízes e de conviver com mais afeto, usufruindo de tudo que tecnologia pode nos proporcionar sem exibicionismos, mas com consciência do futuro e consistência do presente.

Não estamos mais falando de uma robotização fria e inatingível, nem de espaços automatizados e sem vida, mas de processos e experiências enriquecedoras e inclusivas, como as mais recentes tecnologias: Streaming (Netflix e Spotfy), assistentes de voz (Google home e Alexa), Automação residencial e corporativa, Internet das Coisas e Inteligência Artificial...todas elas já estão e irão revolucionar a forma como lidamos com nosso próprio lar, com as pessoas e com o mundo.

Essa revolução que há muito já acontece em outros lugares, como nos EUA e Europa, onde desde a década de 20 com os primeiros eletrodomésticos (época da 3° revolução industrial que trouxe eletrônicos, tecnologia da informação e já se falava da casa do futuro, pois a intenção era facilitar o dia a dia das pessoas, e agora estamos a bordo da chamada quarta revolução industrial.

Que de acordo com o canadense Klaus Shwab, criador do termo, em seu livro ” A Quarta Revolução Industrial” lançado em 2016, Internet das coisas, inteligência artificial e robótica são alguns dos campos em que é fácil identificar mudanças práticas para a vida das pessoas. A automação está chegando às casas, ao relacionamento com empresas e, claro, aos smartphones – dispositivos com raízes na revolução digital mas que, dia após dia, tornam-se mais inteligentes e automatizam as tarefas cotidianas.

Tudo isso nos mostra que a evolução tecnológica, marcada pela convergência de várias tecnologias disruptivas, é uma mudança de paradigma que está transformando a forma como consumimos e nos relacionamos, é algo permanente e crescente em todas as áreas e atividades e que teremos que nos adaptar a ela de uma forma ou de outra, e já nos adaptamos, mesmo sem perceber, pois não há mais como negar isso, mas sempre lembrando que o que importa é a essência a convivência com a família, o lazer, e o descanso buscando uma relação mais ecológica e harmoniosa com os recursos naturais preservando nossas próximas gerações desde agora. 


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