Moradia do futuro: como a tecnologia transformará a sua casa em centro de compra

Autor: Wladimir D’Andrade

Empresas como Google, Amazon e outras big techs se concentram em uma acirrada disputa pelo comando das casas inteligentes. Vitoriosos sairão com grande vantagem competitiva. Saiba o que está em jogo tanto para as empresas e quanto para os consumidores.

Pare por um minuto e dê uma boa olhada na sala da sua casa, leitor. Preste atenção nos aparelhos eletrônicos, televisão, ar-condicionado, lâmpadas. Faça o mesmo na sua cozinha, no quarto, no banheiro. Parece tudo muito comum. No entanto, o que você vê é um campo de batalhas onde Google, Amazon e outras companhias se encontram em ação para tomar conta do espaço em que você dorme, janta, descansa com a família. Estamos na era das casas inteligentes e neste momento grandes marcas disputam o papel de “cérebro” que vai coordenar todos os aparelhos do lar, um posto de enorme vantagem competitiva.

Dentro de casa os consumidores geram um gigantesco volume de dados sobre as suas ações, manias e vontades que hoje são pouco mapeadas neste ambiente mais reservado. E dados são o petróleo da era atual, matéria-prima que move os negócios do futuro. A marca que tiver acesso ao dia a dia do lar estará ciente dos comportamentos das pessoas na intimidade, conseguirá identificar em tempo real desejos e necessidades e terá enorme influência para oferecer a elas produtos e serviços. Cada casa se transforma em um centro de compras com poder de decisão.

Móveis e eletrodomésticos equipados com sensores fornecerão as informações para o “cérebro” da residência, que chamamos de hub, aprender sobre a rotina dos moradores. Assim, pode automaticamente agendar um Uber na hora que a família precisa sair para a rua. É possível identificar comportamentos prejudiciais à saúde e recomendar serviços de um preparador físico, um terapeuta, um médico. Dá também para fazer compras dos itens de supermercado de forma autônoma. São inúmeras oportunidades de negócio para as empresas e benefícios referentes a conforto, economia e sustentabilidade para o consumidor.

Neste momento enxergamos a disputa pelo hub da casa inteligente na concorrência entre os assistentes pessoais. A Amazon com a Alexa e o Google se colocam como os principais rivais. Samsung, Apple, Microsoft e gigantes chinesas como o Alibaba e a Tencent virão forte para a briga, que está só começando.

Para tudo isso acontecer temos um caminho estrutural a seguir. A tecnologia 5G é fundamental para suportar o volume de dados na rede de comunicação móvel. A evolução da pesquisa e aplicação da inteligência artificial nos modelos de negócios das empresas ditará a velocidade de desenvolvimento da casa inteligente. Tem também o tempo necessário para que a tecnologia se torne acessível financeiramente. E claro, as regras para que haja respeito à privacidade dos dados das pessoas.

O exercício de futurologia que faço aqui pode provocar medo em muita gente. O sentimento é comum quando imaginamos rupturas nas rotinas das nossas vidas. Há, no entanto, muitos benefícios envolvidos, tanto para empresas quando para as pessoas. Precisamos de sabedoria para aproveitar a tecnologia de forma positiva para todos. Então, leitor, olhe mais uma vez para a sua casa e guarde essa cena na memória. O que você vê hoje pode se tornar apenas lembrança amanhã.

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